terça-feira, 30 de março de 2010

A Educação Brasileira no período de 1770 a 1820*

Manoel Carlos Botelho Lins da Silva
1. Universidade do Estado do Amazonas/UEA


Entre 1770 e 1820 no período conhecido como a “crise do sistema colonial”, foi marcado pela renovação metodológica de conteúdos e de organização da cultura e da educação.

As reformas pombalinas foram marcadas por “meio século de decência e de transição”, sendo que, o pensamento do Marquês de Pombal foi influenciado pelos estrangeiros que contestavam o modo de ensino jesuítico, mais precisamente os pesadores franceses que implementaram o pensamento iluminista em toda a Europa.

As idéias afrancesadas de separação entre a ciência e a religião proporcionaram o desenvolvimento científico da época.

No Brasil, as idéias “afrancesadas” chegaram com os alunos que estudavam fora da colônia, nas universidades Européias, como é o caso da Universidade de Coimbra. Os alunos possuíam e liam os autores modernos que sofriam a censura pombalina, como também os expurgados e proibidos pela Real censura, como é o caso de Diderot, (O abade Roymal) e Rousseau (O Emílio), os estudantes da época sofreram influência dos pensadores que contestavam a realeza, se tornando muito deles líderes de grandes revoluções realizadas no Brasil. Mas, nem todos os alunos tiveram um pensamento revolucionário, sendo aproveitados na administração Metropolitana.

A circulação de ilustração era realizada pelas lojas maçônicas, que tinha um caráter secreto, pois faziam o comércio clandestino de literaturas tidas como revolucionárias para época.

Outro meio de divulgação iluminista era a Sociedade Literária, que estando sob o controle das autoridades Metropolitanas, no entanto, realizava o comércio clandestino de literaturas, entre a Europa e a América. Mas, é preciso lembrar que a reforma pombalina foi implantada com muita dificuldade na colônia pela oposição dos partidários dos jesuítas.

No século XVIII, aos poucos foi criada uma rede de aulas avulsas de primeiras letras que compunha algumas disciplinas, tais quais: gramática latina, grego, retórica, filosofia, entre outras. Em Pernambuco, além das aulas avulsas, foi criado um seminário, isto é, um colégio para formação de padres.

Finalmente podemos considerar a obra Joanina. A ação Joanina na educação escolar acompanha a tendência geral apontada pela história da educação para os séculos XVIII e XIX.


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*Texto produzido na aula da disciplina de História da Educação Brasileira e Amazônica, do Curso de Pedagogia - UEA, 2008.

segunda-feira, 8 de março de 2010

As duas faces da educação

Edmar da Paz Soares
Universidade do Estado do Amazonas


Geralmente quando nasce uma criança uma das primeiras preocupações de seus pais é como oferecer educação para o seu filho, essa ideia se baseia na premissa de que só há vantagens e benefícios na educação. Fica legitimado o senso comum, de forma indubitável, que a educação é totalmente benéfica e acima de suspeitas.

É normal pensar que o melhor lugar que uma criança pode estar é na escola, e que a escola é um ambiente feliz, confortável e amistoso. O conteúdo curricular não é verificado pelos pais porque, na sua visão,  pensam que tudo o que será trabalhado é importante e foi escolhido com perfeita precisão para garantir o desenvolvimento global dos estuantes.

A educação por sinal, é vista como a solução de todos os problemas que tornam a nossa sociedade tão injusta.  Através dela pode-se acabar com o desemprego, gerar renda para o pagamento da dívida externa e interna, acabar com a violência urbana, gerar novas tecnologias e progresso e até tornar o Brasil uma das grandes potências mundiais. 

Diante de tantas vantagens parece não ser sensato mover um mero questionamento filosófico contra a educação, afinal até a própria filosofia é transmitida por esta.

Mas como pode algo tão perfeito assim, ainda não ter resolvido os graves problemas que afligem nossa sofredora nação, as escolas da rede particular e pública estão distribuídas em praticamente todo o território nacional, os centros universitários estão se proliferando e oferecendo uma gama de cursos como nunca foi presenciado nas épocas antecessoras e isso indica que o brasileiro está estudando mais e um número cada vez maior de pessoas vem chegando no nível superior de ensino, e mesmo assim, a qualidade de vida não sofreu uma mudança radical como imaginava-se anteriormente.

Talvez se a educação aparentemente não está sanando as patologias sociais que devia resolver, então, pode haver a possibilidade dela estar de alguma forma contribuindo para que eles se mantenham. Isso com certeza seria algo muito grave para o desenvolvimento da nação, pois a classe estudantil estaria alienada a se manter ocupada com uma educação que não renderia as principais vantagens que deveria resultar.

Logo no início da vida escolar as crianças já entram em contato com um sistema rígido de controle regido por uma cadeia de comando onde ele se encontra na posição mais subordinada, o próprio conteúdo “estudado” é uma matéria considerada estática onde interpretações personalizadas são consideradas erradas portanto devem ser descartadas e substituídas pelas certas, que sempre foram criadas por alguém que está acima de todos os presentes, portanto só lhes resta seguir as orientações sem questionamentos, pois a cadeia de comando não ocorre de forma inversa.

Talvez a educação não seja boa em todos os sentidos como se presumia, ou então, esteja sendo usada para privilégio de poucos. Mas, seja qual for a obscura razão de não haver as mudanças qualitativas ha tanto tempo prometidas o importante é saber o que e quem realmente está do nosso lado para então buscarmos os benefícios coletivos com uma visão mais realista dos desafios a serem superados.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Antropologia e educação

Hebert José Balieiro Teixeira

A antropologia surgiu em meados do século XVIII, como uma ciência do homem para construir um olhar focado para o homem como objeto de estudo, até então, nada visto para a época, pois os estudos anteriores eram voltados apenas para as áreas da filosofia, mitologia e teologia, que serviam para explicar os fenômenos da vida.

Esta nova ciência voltava o seu estudo para as ações, modo de pensar, modo de agir e modo de vida do ser humano. O homem passa a ser o objeto dos estudos de vida, sendo uma ciência antropológica, como todas as ciências, ela não se mantém estática. Uma das principais mudanças foi a ruptura metodológica que ocorreu no século XIX, havendo assim, uma interação entre o sujeito e o objeto de estudo, sendo a metodologia etnografia mais adequada para esta ciência através de um estudo no campo.

No século XX, ocorre uma crise de identidade com o objeto de estudo da antropologia, pois de “primitivo”, esse objeto passa a ser chamado de homem moderno.

A disciplina em sala de aula

Hebert José Balieiro Teixeira

A teoria da aprendizagem social ou (aprendizagem por observação dos modelos), tem como defensor o teórico Albert Bandura, sendo esta teoria de característica behaviorista, ele faz uma reflexão sobre o papel dos pais, dos professores, os “os heróis” reais ou fantásticos e ainda faz uma reflexão sobre o contexto histórico e social.

Para Bandura, o reforço no modelo proporcionará a reflexão no que observa, podendo ser negativa ou positiva “aprendizagem vicária”.

Para a esmagadora massa de professores a indisciplina é sinônimo de conversa, mas para Bandura é através da conversa que se aprende, a disciplina não pode ser confundida com o silêncio. A escola é um centro socializador, ela é um centro epistemológico onde se aprende. A escola deve ensinar a verdade, a bondade e a justiça, quando isso não ocorre chamamos de indisciplina, pois o estudante tem o professor como seu espelho, ele é o seu herói, se um professor desrespeitar os seus estudantes os estudantes retribuirão como diz o ditado “na mesma moeda”.

Para a disciplina ocorrer o professor deve ser pontual não só no horário, mas em todo o seu trabalho como professor, para que tenha o respeito da turma e tenha uma sala disciplinada.

Segundo Celso Antunes, “o professor deve dar a aula para a coletividade, mas não se esquecendo de cada indivíduo”, numa aula dinâmica e socializadora.

A noção do próprio corpo na concepção de Henri Wallon

                   Hebert José Balieiro Teixeira   
 
De acordo com os estudos de Henri Wallon, a noção do próprio corpo se constrói gradativamente por meio de etapas sucessivas e diretamente relacionadas com os processos gerais da psicogênese. A pessoa vai se construindo ao longo do seu desenvolvimento, tendo na emoção a origem de seu psiquismo, sendo que o comportamento emocional constitui o primeiro modo de comunicação. Por tanto, é por meio das interações com os outros que as manifestações expressivas se exteriorizam.

Para se adquirir do eu corporal, é preciso que se realize uma distinção entre os elementos atribuídos ao próprio corpo e os mais diretamente com o mundo exterior e só pela exploração sistemática de seu corpo poderá gradualmente reconhecer e individualizar suas partes, podendo, então, integrá-las em uma unidade corporal. Desta forma, a consciência a consciência corporal é a condição fundamental para o início da consciência de si.

Na teoria Walloniana a consciência irá ser construída ao longo da evolução em uma orientação clara para uma progressiva diferenciação de si.

As influências entre o eu e o outro são recíprocas e varriam de acordo com as necessidades próprias dos diferentes momentos do desenvolvimento.

Wallon levanta a hipótese de que a relação com as outras pessoas é intermediada pelo fantasma do outro que cada um de nós traz em si.

O outro que faz parceria com o eu é também denominado “socious”, sendo parceiro perpétuo do eu na vida psíquica. O eu e o outro tem uma mesma filiação e se completam.

O socius é um duplo eu, seu complemento indispensável, um parceiro constante que normalmente aparece recalcado, reduzido pelo domínio do eu. Seu papel fica mais evidente em situações de incertezas, de tomadas de decisões, de reflexão sobre situações, nas quais passa a exercer a função de suporte das discussões interiores, uma vez que se presta a dialogar e partilhar das experiências do eu.

Esse estágio está voltado para a pessoa, para o enriquecimento do eu e para a construção da personalidade.

A consciência corporal é condição fundamental para o início da consciência de si, pode-se dizer que é o prelúdio da construção da pessoa, e que contempla, necessariamente, o início dos processos de diferenciação EU-OUTRO.

O estágio do personalismo é marcado por três momentos distintos: a oposição, a sedução e imitação.

A pessoa evolui constantemente para uma gradual diferenciação.

O pensamento opera sobre símbolos e impõe às coisas a fragmentação dos sinais e das imagens que são importantes para a sua análise. A questão da significação que se pode dar ás coisas está situada na fronteira entre a inteligência prática e teórica.

O pensamento é definido como inteligência verbal e discursiva. O problema fundamental da evolução intelectual é a sucessão de duas inteligências: a sensório-motora e a discursiva.

A linguagem enunciada identifica-se com o pensamento discursivo, sendo que as representações e as relações de que é suporte tendo a sociedade como matriz indispensável.