Edmar da Paz Soares
Universidade do Estado do Amazonas
Geralmente quando nasce uma criança uma das primeiras preocupações de seus pais é como oferecer educação para o seu filho, essa ideia se baseia na premissa de que só há vantagens e benefícios na educação. Fica legitimado o senso comum, de forma indubitável, que a educação é totalmente benéfica e acima de suspeitas.
É normal pensar que o melhor lugar que uma criança pode estar é na escola, e que a escola é um ambiente feliz, confortável e amistoso. O conteúdo curricular não é verificado pelos pais porque, na sua visão, pensam que tudo o que será trabalhado é importante e foi escolhido com perfeita precisão para garantir o desenvolvimento global dos estuantes.
A educação por sinal, é vista como a solução de todos os problemas que tornam a nossa sociedade tão injusta. Através dela pode-se acabar com o desemprego, gerar renda para o pagamento da dívida externa e interna, acabar com a violência urbana, gerar novas tecnologias e progresso e até tornar o Brasil uma das grandes potências mundiais.
Diante de tantas vantagens parece não ser sensato mover um mero questionamento filosófico contra a educação, afinal até a própria filosofia é transmitida por esta.
Diante de tantas vantagens parece não ser sensato mover um mero questionamento filosófico contra a educação, afinal até a própria filosofia é transmitida por esta.
Mas como pode algo tão perfeito assim, ainda não ter resolvido os graves problemas que afligem nossa sofredora nação, as escolas da rede particular e pública estão distribuídas em praticamente todo o território nacional, os centros universitários estão se proliferando e oferecendo uma gama de cursos como nunca foi presenciado nas épocas antecessoras e isso indica que o brasileiro está estudando mais e um número cada vez maior de pessoas vem chegando no nível superior de ensino, e mesmo assim, a qualidade de vida não sofreu uma mudança radical como imaginava-se anteriormente.
Talvez se a educação aparentemente não está sanando as patologias sociais que devia resolver, então, pode haver a possibilidade dela estar de alguma forma contribuindo para que eles se mantenham. Isso com certeza seria algo muito grave para o desenvolvimento da nação, pois a classe estudantil estaria alienada a se manter ocupada com uma educação que não renderia as principais vantagens que deveria resultar.
Logo no início da vida escolar as crianças já entram em contato com um sistema rígido de controle regido por uma cadeia de comando onde ele se encontra na posição mais subordinada, o próprio conteúdo “estudado” é uma matéria considerada estática onde interpretações personalizadas são consideradas erradas portanto devem ser descartadas e substituídas pelas certas, que sempre foram criadas por alguém que está acima de todos os presentes, portanto só lhes resta seguir as orientações sem questionamentos, pois a cadeia de comando não ocorre de forma inversa.
Talvez a educação não seja boa em todos os sentidos como se presumia, ou então, esteja sendo usada para privilégio de poucos. Mas, seja qual for a obscura razão de não haver as mudanças qualitativas ha tanto tempo prometidas o importante é saber o que e quem realmente está do nosso lado para então buscarmos os benefícios coletivos com uma visão mais realista dos desafios a serem superados.
